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sexta-feira, 14 de março de 2014

A Lojista Ariana

Do livro: A menina que roubava livros

Parara, do lado de fora da loja de Frau Diller, encostados na parede caiada.

Havia um pedaço de bala na boca de Liesel.

O sol batia em seus olhos.

Apesar dessas dificuldades, ela ainda conseguiu falar e discutir.

• Outra conversa •
Entre Rudy e Liesel 
-Ande logo, Saumensch, já foram dez.
-Não foram, foram só oito, ainda tenho mais duas.
-Bom, então ande depressa. Eu disse que a gente devia
ter pegado uma faca e cortado ela ao meio...
Ande, já foram duas.
-Está bem. Tome. E não engula.
-Eu pareço idiota?
[Uma pequena pausa]
-É o máximo, não é?
-Com certeza, Saumensch.

No fim de agosto e do verão, eles acharam um fênigue no chão. Pura empolgação.

Estava caído na terra, meio estragado, no trajeto da roupa para lavar e passar. Uma moeda solitária e corroída.

-Olhe só pra isso!

Rudy a arrebatou. A animação chegou quase a espetar, enquanto os dois voltaram correndo para a loja de Frau Diller, sem sequer considerar que um único fênigue talvez não fosse o preço certo. Irromperam porta adentro e pararam diante da lojista ariana, que os olhou com desdém.

-Estou esperando - disse ela. usava cabelo preso para trás e um vestido preto que lhe sufocava o corpo. A foto emoldurada do Führer vigiava na parede.

-Heil Hitler - fez Rudy.

-Heil Hitler - ela respondeu, empertigando-se mais, atrás do balcão. - E você? - disse, lançando um olhar furioso para Liesel, que lhe ofereceu prontamente seu "heil Hitler".

Rudy não demorou a tirar a moeda do bolso e a colocá-la com firmeza no balcão. Olhou diretamente para os olhos da Frau Diller, cobertos pelos óculos, e disse:

-Balas mistas, por favor.

Frau Diller sorriu. Seus dentes se acotovelavam para arranjar espaço na boca, e sua gentileza inesperada fez com que Rudy e Liesel também sorrissem. Por pouco tempo.

Ela se inclinou, procurou alguma coisa e reergueu o corpo.

-Pronto - disse, jogando uma única bala no balcão. -Misture você.

Do lado de fora, eles a desembrulhavam e tentaram parti-la ao meio com os dentes, mas o açúcar estava duro feito vidro. Duro demais, até para as presas animalescas de Rudy. Em vez disso, tiveram que alternar chupadelas até a bala acabar. Dez chupadelas para Rudy. Dez para Liesel. Para lá e para cá.

-Isso é que é boa vida - anunciou Rudy, a horas tantas, com um sorriso de apreciador de doces, e Liesel não discordou.

Quando terminaram, os dois tinham um tom vermelho exagerado na boca, e ao caminharem para casa lembraram um ao outro de ficar de olho aberto, para o caso de acharem mais uma moeda.

Naturalmente, não acharam nada. Não se pode ter uma sorte dessas duas vezes num ano, que dirá numa única tarde.

Mesmo assim, de línguas e dentes vermelhas, os dois desceram a rua Himmel, vasculhando alegremente o chão na passagem.

Tinha sido um dia genial, e a Alemanha nazista era um lugar maravilhoso.

Markus Zusak


No início do ano reli o livro A menina que roubava livros para poder assistir ao filme com a história fresquinha na minha cabeça. Não sei se foi uma boa ideia, porque o filme acabou me irritando... mas o livro continua sendo um dos meus preferidos.

Na releitura, me deparei com esse capítulo e ele tinha que ser arquivado no blog. ♥

Pequenos prazeres que trazem a felicidade.
É clichê mas é verdade: precisamos de tão pouco para sermos felizes!

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quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Desafio literário 2014


Não é segredo para ninguém a minha paixão por livros.
Analisando os meus livros lidos neste ano e a minha lista de livros que pretendo ler, percebi que não tenho dado a devida atenção aos autores nacionais, os autores clássicos. Descobri que nunca li um livro de Cora Coralina, nem de Cecília Meireles. Que os livros de Machado de Assis foram lidos para o vestibular e que faz anos que não leio Monteiro Lobato. 

Visando mudar o meu hábito e buscando a valorização do que é nosso, dos nossos autores, resolvi me propor um desafio literário: ler durante o ano de 2014 obras de Cora Coralina e Machado de Assis. A doçura de Cora e a audácia de Machado.

Inicialmente o desafio era pessoal, mas conversando com a Rafa, outra apaixonada por livros, recebi grande apoio e novas ideias e resolvemos compartilhar com vocês o nosso Desafio Literário 2014:


A ideia é: dois livros por mês - um da Cora, outro do Machado.
Estou comprando meus exemplares no Estante Virtual, já comprei livro do Machado de Assis por R$ 1,00 em ótimo estado. Os livros de janeiro e fevereiro já estão garantidos.

Duas maneiras que encontrei para encaixar a leitura na minha rotina são:
-levar um livro na bolsa;
-ler antes de dormir.

É incrível o tempo que perdemos em filas de esperas. Sexta, por exemplo, tive uma consulta e o médico atrasou duas horas e meia para me atender. Dá para imaginar o quanto eu li! Antes de ter esse hábito, ficaria esse período a toa, foleando todas as revistas do consultório e, ainda, passando raiva. Até digo que tenho adorado esses atrasos: dá para ler bastante.

Ler antes de dormir é também relaxante, nem que seja um parágrafo por noite. É um momento que você dedica para você, é um momento que você descansa a mente e se prepara para ter um sono melhor, mais tranquilo. Sem contar que, quando você menos esperar, terá lido um livro.

Criar o hábito de leitura não é difícil, basta querer tê-lo.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

A panela

A velha empregada de minha família era negra. Chico, o neta dela - como é costume acontecer quando não temos irmãos - era o meu companheiro constante de brincadeiras e folguedos.

Em tudo quanto fazíamos, a parte de Chico era sempre a mais pesada, secundária e passiva. Ele tinha que dar e, nunca, que receber.

Um dia corri para casa, à saída da escola porque Chico e eu tínhamos projetado construir uma vala que fosse do poço à lavanderia.

Sem darmos por isso, cada um de nós assumiu logo o seu papel - como de costume.

Chico era o "condenado" a trabalhos forçados, suando e repetindo esforços. E eu o implacável guarda, com uma vara na mão!

A maneira como eu estava maltratando aquele menino negro era quase digna de um adulto imbuído de preconceitos de cor.

Foi quando a nossa preta velha chamou-nos:

-Crianças, venham pôs a minha panela no fogão!

Corremos para a cozinha. A panela estava no chão e nós a agarramos com ambas as mãos. Mas com um grito a largamos, perplexos de que ela nos tivesse mandado pegar em uma coisa que - era evidente que sabia - estava extremamente quente.

Em seguida, em graves e brandas palavras, tão nítida e simples que até hoje as posso escutar, partindo do fundo do tempo, disse-nos assim:

-Ora! Vocês dois se queimaram. Que coisa mais engraçada! A cor da pele de vocês é tão diferente, mas a dor que estão sentindo é igual para ambos, não é verdade?

Concordamos que sim. E nunca mais pude me esquecer desse episódio que, sem dúvida alguma, fez de mim uma pessoa diferente.

                                                                                 do livro E, para o resto da vida... (Wallace Leal V. Rodrigues)



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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

As coisas boas da vida


O foco do livro é estimular no leitor a perceber o quanto as situações diárias são prazerosas e felizes.
A leitura é rápida e envolvente. As imagens são belas, as frases são curtas e temos aquela sensação boa, além das boas lembranças pessoais que surgem no decorrer da leitura.



Comprei o livro por associá-lo com o blog e ele traz a mensagem que tento passar por aqui: a felicidade existe sim nas coisas e situações simples da vida. E arrisco a dizer que elas são as melhores!


Comentei na postagem anterior que o blog chegou aos 1000 seguidores, quando comprei o meu livro, comprei um exemplar a mais com a intenção de sortear aqui no blog. Vou unir o útil ao agradável e, em comemoração, aos 1000 seguidores (adoro números redondos!) farei o sorteio.

O sorteio será simples e rápido.
Se você quiser participar é só comentar nesta postagem: Eu quero participar! e pronto, já está participando.
No sábado, dia 05, publico o nome da ganhadora.

O número de cada inscrição será correspondente ao da ordem dos comentários que serão aceitos até as 21:00 horas de sexta (dia 04).
Não irei considerar os comentários anônimos e pode participar as leitoras dos outros países.



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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pequena Abelha


Intenso é como defino em uma palavra o livro Pequena Abelha do autor Chris Cleave.

Escrever uma indicação sobre esse livro é difícil. Digo isso porque no próprio livro eles pedem que não contemos a história pelo fato dela ser especial e para não correr o risco de estragá-la, o encanto está na maneira com a narrativa desenrola.


Mas para que você interesse pelo livro, podemos dizer só o seguinte:

Essa é a história de duas mulheres cujas vidas se chocam num dia fatídico. Então, uma delas precisa tomar uma decisão terrível, daquelas que, esperamos, você nunca tenha de enfrentar. Dois anos mais tarde, elas se reencontram. E tudo começa... 

A história é envolvente. A história é dolorosa.
Ao terminar o livro a minha única vontade era poder entrar na história e abraçar a Abelhinha. Um abraço caloroso, com todo o meu carinho, com todo o meu sentimento... Poder abraça-la e não mais soltá-la.

Vou me limitar aqui.
Caso você leia esse livro, me conte o que achou e, por favor, por mais que você queira comentar a história com seus amigos, não diga o que acontece. A beleza é o desenrolar.


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quarta-feira, 31 de julho de 2013

11ª Flip


A Flip - Festa Literária Internacional de Paraty é um evento muito bem organizado e extenso. Com tanta programação é impossível você participar de tudo.

Alguns dias antes do evento iniciar é liberada a venda das mesas. São dois tipos de mesas: a tenda dos autores e a tenda do telão. A primeira é mais cara e tem capacidade 850 pessoas e a segunda para 900.
Mesmo estando 'online' assim que a venda foi liberada, devido a quantidade de acesso não consegui comprar aquelas que realmente queria participar.

Todas as mesas que participei foram na tenda do telão e a qualidade, tanto do audio como da imagem, me surpreendeu. Sem contar que a paisagem em volta é impagável!


Graciliano Ramos foi o autor homenageado da 11ª Flip. Na tenda do telão havia belíssimas imagens do cotidiano nordestinho e também um trecho escrito por ele acompanhado de uma ilustração da Baleia, a famosa cachorra de Vidas Secas.



Na praça principal da cidade, onde estava acontecendo a Flipinha, tinha várias esculturas feitas de papel machê retratando cenas do sertão nordestino.


E na Casa da Cultura o assunto era único: Graciliano Ramos. Além da exposição, duas televisões em salas separadas uma passando o filme 'Vidas Secas' e a outra documentários.



A Flipinha foi o espaço que eu mais gostei e aproveitei. É a Flip destinada para o público infantil e vocês não tem noção da quantidade de crianças. É criança levada pelos pais, é criança com excursão da escola...

Ela acontecia em duas tendas de circo. Em uma tenda havia milhares de livros disponíveis para o público. Lá me encantei por diversas ideias, muitas feitas de material reaproveitável, que pretendo colocar em prática na Biblioteca Ler é bom!. (Não colocarei detalhada aqui para a postagem não ficar longa, mas farei uma postagem no outro blog)

Na outra tenda era onde acontecia as mesas (só que gratuitas) e também shows e outros eventos para o público infantil.



Na praça principal, além das esculturas de papel machê, debaixo de cada árvore havia um tapete, almofadas e muitos livros infantis. ♥ ♥ ♥ ♥


Achei muito legal ver que o Banco Itaú, além dos livrinhos infantis de ótima qualidade que eles dão todo ano, estava lá mostrando que apoia a leitura. É claro que existe toda uma jogada de marketing por trás desses projetos, mas só o fato deles estarem investindo nisso é muito bacana.

Eles disponibilizaram bancos de papelão fácil de serem transportados, bicicletas e o melhor: pela cidade havia vários pontos de leituras: redes + livros.

Eu e o meu banco de papelão



Projetos assim deveriam existir o ano inteiro não só em eventos literários.
Outra coisa que eu amei na Flip foram os artistas de rua. Em cada canto lá estavam eles, com um sorriso no rosto e fazendo o seu trabalho:


Tina, impossível não lembrar de você!




Durante o evento, comentei com as meninas, que infelizmente o acesso aos livros da Flip é para quem tem dinheiro. Os livros eram caríssimos. Muitos livros estavam mais caros do que costumo ver em livrarias e em sites. 

Havia muitos autores independentes nas ruas de Paraty e me arrependo bastante de não ter comprado livros deles. Se um dia eu voltar na FLIP, o meu foco serão esses autores. 



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quarta-feira, 26 de junho de 2013

O pintinho

Eu tinha dez anos quando encontrei, entre minhas colegas, a primeira amiga de verdade.

Nossa camaradagem tornou-se a coisa mais importante para mim.

Entretanto, eu era de natureza exclusivista e me sentia violentamente enciumada sempre que ela manifestava interesse por alguma coisa que nada tivesse a ver comigo.

Mamãe compreendeu o que estava ocorrendo.

Um dia ela chamou-me para ver uma ninhada de pintinhos que havia acabado de sair do ovo.

Fiquei encantada. Eram umas coisinhas lindas, feitas de suave veludo cor de ouro.


Em meu entusiasmo, colhi um deles na mão. Mas apertei-o com tanta força que por um pouco não o sufoquei. Ele, naturalmente, lutou para escapar até que, desvencilhado-se, correu para longe de mim.

Mamãe notou o meu desapontamento e disse:

-Pegue um outro, mas procure segurá-lo suavemente. Se você o prender com muita força, por instinto ele vai querer fugir.

Fiz uma segunda tentativa e o pintinho aninhou-se quietinho na palma da minha mão. Senti-me muito feliz e sorri para mamãe. Foi quando ela me disse:

-Sabe, meu bem, as pessoas, neste mundo, são como esses pintinhos. Quando agarramos com muita força aqueles que amamos, tentando aprisioná-los em nossa mão, eles, naturalmente, não se sentem bem. E lutam por readquirir a liberdade, como fez o primeiro pintinho que você pegou. Mas se os colocamos na palma da mão, sem fechar os dedos, de modo que sintam apenas o nosso calor, percebem logo que não desejamos aprisioná-los, pelo contrário, apenas aquecê-los com um pouco de nós mesmos, sem a pretensão de exigir-lhes nada. Foi o que sucedeu com o segundo pintinho.

Aquilo me impressionou muito e guardei a lição.

Não quero dizer que deixei de sentir ciúmes, pois isso faz parte da natureza humana. Todavia quando o exclusivismo fala mais alto em meu espírito, controlo-me mentalizando a figura daquele pintinho na palma de minha mão.

Foi assim que aprendi a manter junto de mim aqueles que, pensando seriamente, desejo que permaneçam perto de meu coração...

do livro "E, para o resto da vida..." (Wallace Leal V. Rodrigues)

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quarta-feira, 5 de junho de 2013

As Crônicas de Nárnia

Sempre gostei de fantasias ainda mais associada à leitura.
Por exemplo, li e tenho todos os livros e filmes do Harry Potter ♥. 
Como sei que vou gostar da trilogia 'O Senhor dos Anéis', só assistirei aos filmes depois que ler aos livros e já me indicaram que devo ler primeiro 'O Hobbit'.

Conheci 'As Crônicas de Nárnia' quando lançaram o filme 'O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa' e me apaixonei pela história, pela Nárnia, pelos personagens, em especial o Sr. Tumnus e a Lúcia.


Descobri  que a história era baseada na obra de C.S. Lewis e mesmo a Disney tendo lançado a sequência de filmes eu disse que só assistiria depois de ler toda a obra (sim, tenho essas bobeiras de primeiro ler o livro e depois ver o filme).


Foi o primeiro livro que li em 2013 e me encantei mais ainda por Nárnia.
Li o Volume Único, um livro longo, com 751 páginas, composto por 07 livros e mais um extra sobre como escrever para crianças. 
As Crônicas de Nárnia é composto por:

-O Sobrinho do Mago
-O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa
-O Cavalo e seu Menino
-Príncipe Caspian
-A Viagem do Peregrino da Alvorada
-A Cadeira de Prata
-A Última Batalha
-Três maneiras de escrever para crianças

O primeiro livro, O Sobrinho do Mago, conta como tudo aconteceu. O porquê de Nárnia existir e como ela foi criada. E o mais fantástico de tudo: o motivo do guarda-roupa dar acesso à Nárnia! ♥

E apesar do 'O Sobrinho do Mago' ser o primeiro livro das crônicas, ele só surgiu depois que foi lançado 'O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa', um dos livros mais apreciados de todos os tempos.


Todo o livro é ilustrado. No início de cada livro tem uma ilustração, como a imagem acima. Os capítulos de cada livro também tem uma pequena ilustração, além do livro ter alguns mapas para que possamos nos situar e entender as histórias.



Ainda não tive a oportunidade de assistir aos outros filmes, mas achei o filme 'O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa' fiel ao livro, em todos os detalhes e história.

O livro tem uma linguagem fácil e clara e apesar de ser destinado para as crianças, acredito que muitos adultos que gostam de fantasia, irá gostar. É um livro para toda a família.

Uma curiosidade: o autor de Nárnia, C.S. Lewis (Clive Staples Lewis), é Irlandês e era amigo de J.R.R. Tolkien (autor da trilogia 'O Senhor dos Anéis'). Ambos faziam parte do Inklings, um clube informal de escritores que se reuniam num pub local para discutir ideias para as histórias.

Achei bastante interessante as referências que diversas cenas de todo o livro tem com a história bíblica, inclusive soube, através da Thaís, que o autor escreveu também o livro 'Cristianismo puro e simples', que já está na minha lista de 'quero ler'.

Se você viu qualquer filme e gostou da história, não perca a oportunidade de ler o livro e se encantar ainda mais pelo mundo chamado Nárnia.


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quarta-feira, 8 de maio de 2013

A lição dos chuchus

Dona Maria Pena, que era viúva do Raimundo, irmão do Chico, julgava que este era um mão aberta...

Não era muito crente do dar sem receber. E, certa manhã, em que, sobremodo, sentia a missão do médium, que muito estimava, disse-lhe:

-Chico, não acredito muito nas suas teorias de servir, de ajudar, de dar e dar sempre, sem uma recompensa. Não vejo nada que você receba em troca do que faz, do que dá, do que realiza...

-Mas tudo quanto fazemos com sinceridade e amor no coração, Deus abençoa. E, sempre que distribuímos, que damos com a direita sem a esquerda ver, fazemos uma boa ação e, mais cedo ou mais tarde, receberemos a resposta do Pai. Pode crer que quem faz o bem, além de viver no bem, colhe o bem.

-Então, vamos experimentar. Tenho aqui dois chuchus. Se alguém aqui aparecer, vou lhos dar e quero ver se, depois, recebo outros dois...

Ainda não acabara de falar, quando a vizinha do lado esquerdo, pelo muro, chama:

-Dona Maria, pode me dar ou emprestar uns dois chuchus?

-Pois não, minha amiga, aqui os tens, faça deles um bom guisado.

Daí a instante, sem que pudesse refazer-se da surpresa que tivera, a vizinha do lado direito, também pelo muro, ofereceu quatro chuchus a dona Maria.

Meia hora depois, a vizinha do fundos pede a dona Maria uns chuchus e esta a presenteia com os quatro que ganhara.

A vizinha da frente, quase em seguida, sem que soubesse o que acontecia, oferece à cunhada do nosso querido médium, oito chuchus.

Por fim, já sentindo a lição e agindo seriamente, dona Maria é visitada por uma amiga de poucos recursos econômicos.

Demora-se um pouco, o tempo bastante para desabafar sua pobreza.

À saída, recebe, com outros mantimentos, os oito chuchus...

E dona Maria diz para o Chico:

-Agora quero ver se ganho dezesseis chuchus, era só o que faltava para completar essa brincadeira...

Já era tarde. Estava na hora de regressar ao serviço e Chico partiu, tendo antes enviado à prezada irmã um sorriso amigo e confiante, como a dizer-lhe: "Espere e verá".

Aí pelas dezoito horas, regressou Chico à casa. Nada havia sucedido com relação aos chuchus... Dona Maria olhava para Chico com ar de quem queria dizer: 'ganhei ou não?'...

Às vinte horas, todos na sala, juntamente com o Chico, conversavam e nem se lembravam mais do caso dos chuchus, quando alguém bateu à porta.

Dona Maria foi atender. Era um senhor idoso, residente na roça. Trazia no seu burrinho pequenos presentes para dona Maria, em retribuição às refeições que sempre lhe dava, quando vinha à cidade.

Colocou à porta um pequeno saco. Dona Maria abriu-o nervosa e curiosamente. Estava repleto de chuchus. Contou-os: sessenta e quatro. Oito vezes mais do que havia, ultimamente, dado... Era demais.

A graça, em forma de lição, excedia à expectativa, era mais do que esperava. E daí por diante, dona Maria compreendeu que aquele que dá sempre recebe mais.

do livro 'Lindos casos de Chico Xavier'
autor: Ramiro Gama


Vi essa lição em um dos livros que estou lendo.
Achei fantástica e verdadeira, independente de crenças religiosas.
Quando damos recebemos mais, sempre mais.
Para quem admira a grande pessoa que foi o Chico Xavier ou que o queira conhecer, fica a indicação desse livro. Ele é lindo!

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quarta-feira, 6 de março de 2013

A vaidade

Quando minha irmã e eu tínhamos cerca de sete e nove anos, respectivamente, alcançamos as notas mais altas de nossa classe, na escola. Assim, decidimos que, em matéria de "cérebro", nossa família estava muito acima da média. E não perdemos tempo para fazer os nossos companheiros de brinquedos cientes disso.

De certa feita, ao ouvir nossas jactâncias, papai chamou-nos.

Ele havia enchido uma bola de assopro até o tamanho de uma cabeça humana. E, muito sério, disse-nos:

- Este aqui é o João.

Então, começou a contar-nos a história da vida do João, a qual veio a ser uma sucessão de feitos extraordinários.

E, cada vez que João fazia uma coisa magnífica, nosso pai soprava um pouco mais de ar dentro do balão.


Como a história progredia, João ia crescendo a tais proporções que minha irmã e eu fomos, de pouco em pouco, recuando de junto dele, pressentindo o estouro.

De repente, bem no no ponto em que João parecia não suportar mais nada, a história terminou.

- Não é muito divertido estar muito perto do João, não é verdade? perguntou papai. Está tão cheio de si e tem uma cabeça tão grande... Isso é que é ter cérebro, vocês não acham? Mudando um pouco de assunto, por que os seus companheiros de brinquedos não tem aparecido mais?

- Não sabemos! foi a nossa resposta.

- Da mesma maneira que vocês se afastaram do João, os seus amigos se afastaram de vocês. Vocês estavam tão orgulhosos e tinham uma cabeça tão grande que eles temeram o momento do estouro, o que seria de sobremaneira desagradável...

E, até hoje, quando fazermos alguma coisa particularmente envaidecedora, a lembrança do João nos preserva de ficarmos com a "cabeça grande" e nos considerarmos os "cérebros".

do livro "E, para o resto da vida..." (Wallace Leal V. Rodrigues)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Estante Virtual

A postagem de hoje é uma dica para quem gosta de ler e não importa se o livro for de 'segunda mão'.

Conheci o Estante Virtual no ano passado através da minha irmã. Ela estava precisando de um livro para o TCC e não achávamos o bendito em nenhuma livraria de Goiânia. Nem novo e muito menos usado.
Não sei como ela descobriu o Estante Virtual, só sei que em menos de 15 dias ela estava com o livro em mãos, vindo de uma livraria do Mato Grosso e pela metade do preço.

O Estante Virtual é um site que reúne sebos do Brasil inteiro. 
Você digita o nome do livro ou autor que você procura e saí uma relação dos livros, com os valores e a localidade que ele se encontra. 
Tem também uma descrição sobre o estado que o livro está: amassado, páginas amareladas, em bom estado...
É a leitura sustentável.


Já comprei três livros.
Dois para presentes (adoro presentear com livros) e um para mim.
Há tempos estava querendo ler o livro 'Pequena Abelha'. Ele novo estava na faixa de R$ 30,00. Comprei em um sebo de São Paulo por menos de R$ 18,00 (já incluso Correios) e o livro está novinho, novinho.

Minhas compras
O único problema que tive foi com a entrega dos Correios, que demorou bastante!
Mas tirando isso, indico os três sebos que já tive oportunidade de comprar:

-Armazém do Livro Usado (Brasília-DF)
-Garimpo Cultural (São Paulo-SP)
-Sebo Aqui Tem (São Paulo-SP)

Por enquanto me proibi de comprar mais livros que desejo ler ou reler. Estou lendo 'As Crônicas de Nárnia' e já tenho em mãos 5 outros livros para ler. Como estou estudando para concurso, o meu tempo para outras leituras é curto. Então, novos livros só quando já tiver lido pelo menos 2 da lista.

Você já conhecia o site? Já fez alguma compra?
O que você está lendo?

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O 'Um blog simples' completará 02 anos.
Para retribuir a minha alegria preparei um sorteio de coisinhas ♥. 
Participem! :)


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Marcador de página ♥


Retalhos podem ser transformados em charmosos marcadores de página.
Eu amei! ♥

Vi a imagem sendo compartilhada no facebook, se alguém souber a autoria me avise.


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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A cesta

Quando menina eu era preguiçosa e reclamava quando me atribuíam mesmo os mais insignificantes deveres dentro de casa. Sempre que possível eu transferia o que tinha a fazer para os meus irmãos. Eles, entretanto, não tinham melhor disposição do que eu, de modo que estávamos sempre discutindo e de cara feia uns para com os outros. Meus pais nada diziam e esperavam que decidíssemos as querelas. Hoje percebo que papai simplesmente pensava na maneira pela qual iria nos dar uma lição proveitosa.

Uma das minhas tarefas e a que me deixava sempre mal-humorada, consistia em pegar uma cesta e ir comprar pão para a ceia.

Um dia meu pai chegou do trabalho e nos encontrou em conflito, com a cesta no chão, entre nós. Ele estava visivelmente fatigado, porém, ao invés de se sentar um pouco para descansar, voltou-se para mim e me disse em tom carinhoso:

- Filha, dê-me a cesta.

Eu acedi de pronto, certa de que tinha levado a melhor e que um de meus irmãos ia ser mandado à padaria. Mas não foi isso que aconteceu. Dirigindo-se a nós todos propôs-nos o seguinte:

- Filhos, até aqui eu tenho dado o dinheiro e vocês tem feito as compras. Vamos mudar um pouco. Vocês vão dar o dinheiro e eu irei fazer as compras. Já estou com a cesta e vou à padaria buscar o pão. Vocês, por favor, me deem o dinheiro para pagá-lo.

Aquela mudança inesperada nos assustou a todos e ficamos por um instante a nos entreolhar sem dizer palavra.

Sem suportar por mais tempo a situação, tomei-lhe a cesta, peguei o dinheiro e fui buscar os pães, muito pensativa, deixando meus irmãos em um silêncio de perplexidade. Papai foi tomar o seu banho como se nada tivesse acontecido.

Voltei e quando já estávamos todos sentados à mesa para a refeição, com muita cordialidade ele se dirigiu a nós:

- Filhos, disse, a ceia representa uma bênção de Deus e o esforço de cada um de nós. Deus nos abençoou para que eu pudesse trabalhar ganhar o dinheiro, vocês fizessem as compras com ele e sua mãe cozinhasse a comida. Assim, todos nos alimentamos e nos sentimos satisfeitos. A cooperação é a garantia do lar e da humanidade inteira. Quando ela falta a benção de Deus não pode ser realizada. Ao longo de toda vida vocês verão que tal acontece.

Depois disso nossa atitude mudou. A lição serviu para todos nós e ainda hoje, quando nos reunimos, lembramo-nos de papai e daquela ceia. De cada vez que a nossa colaboração, para qualquer trabalho digno, nos é solicitada, lembramo-nos daquela cesta de carregar pão e alegremente aceitamos a incumbência certos de que, assim, a benção de Deus nos estará beneficiando e beneficiando a todos.

do livro E, para o resto da vida (Wallace Leal V. Rodrigues)


...


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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A laranja

Aos sete anos de idade, eu desejava muito estudar violino e mamãe, com algum sacrifício, comprou o instrumento e contratou um professor para mim.

Após algumas semana, vi que não conseguia executar nenhuma melodia e que tinha de fazer exercícios por horas intermináveis.

Então eu disse a minha mãe que havia desistido e ia abandonar o estudo. Morávamos um pouco distante da cidade e foi enquanto caminhávamos - ela fora me buscar ao término de uma das aulas - que eu lhe expliquei o motivo do meu desânimo.

Por acaso passávamos pela casa de uma pessoa amiga que possuía um formoso pomar.

- Veja, disse minha mãe, que frutas maravilhosas!

O espetáculo incendiou a minha imaginação infantil. Havia maçãs, peras, laranjas. Os galhos pendiam de tão carregados.

- Você quer experimentar uma? - Mamãe perguntou.

- Oh! Gostaria sim. Aquela laranja grande e amarela como a gema do ovo.

- Pois então pegue-a.

- Mas eu não posso por causa da cerca. Além do mais, será que a dona vai permitir?

- É mesmo. Você tem razão. Falaremos com ela.

Minha mãe chamou-a e ela consentiu, dizendo:

- O portão do pomar fica ali adiante. É só vocês darem a volta.

Mamãe agradeceu e nós subimos até o pequeno pomar, que ela abriu. Corri, colhi a laranja e voltei alegremente, com ela na mão. Então mamãe me disse:

- Está vendo? Para saborearmos os frutos apetecidos é necessário gastar algum tempo e caminhar, dar algumas voltas. Aquilo que realmente desejamos quase nunca está ao alcance de nossa mão. Você vai ver que será assim durante toda a sua vida...

Imediatamente veio-me à cabeça a história do violino.

Voltei às aulas e aos exercícios, até que fui capaz de executar as minhas melodias prediletas.

E, ao longo de toda minha vida, guardei a lição de minha mãe quanto à necessidade de se empregar o tempo e dar as voltas precisas para alcançar os objetivos.

do livro E, para o resto da vida... de Wallace Leal V. Rodrigues

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O penteado

- Por que há de você perder seu bom humor, torcendo seu cabelo nessa barafunda? perguntou meu pai quando me encontrou chorando de raiva porque eu era muito menina e não tinha a habilidade necessária para fazer o penteado em moda nos meus tempos de colégio.

- É a moda! lamentei-me. Só o meu nunca fica direito!

Olhando-me gravemente, papai sugeriu:

- Divida o cabelo ao meio, penteie-o para trás e amarre-o com uma fita. 

Atendi-o, embora desajeitadamente. Ele acrescentou: 

- Agora use-o assim durante uma semana, e, se metade das meninas de sua classe não copiarem de você, dou-lhe cem cruzeiros.

Pensei comigo que ele era incrivelmente ingênuo. Cem cruzeiros, entretanto, eram uma fortuna a que não podia resistir.

Tivesse eu chegada à aula vestida com a camisola de dormir, minha agonia não teria sido maior. Mas, quando a semana acabou, quase todas as meninas de minha classe estavam usando o cabelo separado pelo meio, atado atrás com uma fita!

Quando narrei o sucedido a meu pai, ele comentou:

- Nunca tenha medo de uma ideia própria e, se ela for certa, siga para diante, sem se importar com o que faça toda a gente.

E, embora tivesse ganho a aposta, deu-me os cem cruzeiros.

Papai nunca poderia imaginar o quanto essa lição, tão simples, reforçou a minha personalidade e auxiliou-me, principalmente em situações em que, como sempre acontece, a pressão dos grupos ameaça anular-nos e nos converter em simples robôs.

do livro 'E, para o resto da vida...' (Wallace Leal V. Rodrigues)

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O essencial é invisível

Já dizia Saint-Exupéry "O essencial é invisível para os olhos."



Versão do livro O Pequeno Príncipe em braille.
Fantástico!!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

A ociosidade

Quando pequenos, meu irmão e eu éramos vadios e preguiçosos. Todo pretexto nos servia para faltarmos com nossos deveres, cabular as aulas e ficar vagabundeando pelos pomares, campos ou quarteirões da cidade onde vivíamos.

Evidentemente nossos pais se aborreciam com aquilo, mas, em lugar de nos castigar ou partir para uma agressão física, esperavam o momento certo para nos advertir mais seriamente, sem saírem do tratamento amorável e paciente que nos dispensavam.

Esse momento chegou quando, em certo dia, depois do almoço, nos preparávamos para mais uma vadiagem. Nossa mãe não se dirigiu a mim, mas a meu irmão. Desconfiado e expectante, fiquei a esperar pelo que se ia dar. Em seu tom de voz habitual e como que ocasionalmente, ela disse:

- Meu filho, será que você me poderia fazer um favor?

- Pois não, mamãe!

Eu percebia que meu irmão também não estava seguro do que se ia dar. Mamãe prosseguiu:

- Eu gostaria que você fosse até aquele terreno baldio e viesse me contar o que existe ali.

O terreno ficava quase enfrente à nossa casa e nós o conhecíamos muito bem, pois servia aos nossos constantes lazeres. Entretanto, mesmo assim ele atendeu e poucos minutos depois voltava.

- Mamãe, ali só existe lixo e porcaria. Metais enferrujados, papéis, vidros quebrados, arames, garrafas. Nada que se aproveite.

Como se não tivesse ouvido a última observação, mamãe perguntou:

- Mas não haverá uma serventia para aquelas coisas?

- Ah mamãe, está claro que não!

Voltando-se para mim ela pediu:

- Agora você, meu filho. Vá até o portão do jardim e venha me contar o que existe nos outros terrenos.

Aquilo também era claro, mas, como meu irmão, obedeci. E voltei logo, dizendo:

- Nos outros terrenos há casas, pomares e jardins. 

- Que coisa! disse mamãe pensativa. Por que será que se acumularam tantas coisas inúteis no terreno baldio?

Eu e meu irmão, triunfantes, respondemos quase que ao mesmo tempo:

- Ora, mamãe, porque ele está vazio.

- Pobre terreno! exclamou mamãe. Não sendo aproveitado para nada, transformou-se em depósito de lixo. Isso dá o que pensar, pois é como os dias de nossa vida. Se não soubermos aproveitá-los, vão se enchendo de coisas inúteis. Uma vida ociosa é como um terreno baldio: recolhe tudo o que ruim e imprestável. É por isso que na vida do homem trabalhador, que sabe encher bem os seus dias, não há lugar para os vícios, maldades e enganos de qualquer espécie.

Mamãe não tinha terminado ainda de dizer e meu irmão e eu já nos entreolhávamos rubros de vergonha.

É escusado dizer que nos modificamos. E, ao longo dos anos, em diversas circunstâncias da vida, quando se nos apresenta qualquer oportunidade para a ociosidade, nos lembramos daquele terreno vazio, cheio de papéis velhos, cacos de vidro e lixo. Tudo inaproveitável.

do livro E, para o resto da vida... (Wallace Leal V. Rodrigues)




Tem postagem de estreia no blog da Biblioteca Ler é bom!
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